Juros do cartão caem, mas economia é de só R$ 1 por R$ 1 mil
Taxa média do rotativo recuou de 442,4% para 436,2% ao ano em julho, enquanto concessões nessa modalidade aumentaram para R$ 40 bilhões.
Juros do cartão recuaram em julho/ Imagem: Canva A queda dos juros do cartão de crédito em julho trouxe pouco alívio para quem precisa recorrer ao rotativo. A taxa média anual caiu 6,2 pontos percentuais, de 442,4% em junho para 436,2% em julho, segundo dados do Banco Central. Na prática, considerando a taxa mensal aproximada, a redução representa uma economia de apenas cerca de R$ 1 em juros para cada R$ 1 mil mantidos no rotativo durante um mês.
Pela média registrada pelo BC, a taxa mensal passou de aproximadamente 15% para 14,9%. Assim, uma dívida de R$ 1 mil teria um custo estimado de cerca de R$ 150 em juros antes da redução e de R$ 149 após a queda. Trata-se de uma referência, já que o custo efetivamente cobrado pode variar de acordo com a instituição financeira, o contrato e o período da dívida.
O movimento chama atenção porque a redução da taxa ocorre justamente em um cenário de aumento das concessões de crédito no rotativo. Em julho, foram concedidos aproximadamente R$ 40 bilhões nessa modalidade, ante R$ 38,6 bilhões em junho, um crescimento de cerca de R$ 1,4 bilhão.
O cenário mostra que, embora os juros tenham recuado, o crédito rotativo continua representando um custo elevado para consumidores que não conseguem quitar integralmente a fatura do cartão.
Juros anuais não significam cobrança de 436% sobre uma dívida
A taxa de 436,2% ao ano pode causar confusão quando comparada ao limite estabelecido para os juros e encargos do cartão.
Desde janeiro de 2024, a legislação determina que os juros e encargos financeiros cobrados no crédito rotativo e no parcelamento da fatura abrangidos pela regra não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida.
Isso significa que uma dívida de R$ 1 mil submetida ao limite não pode acumular mais de R$ 1 mil em juros e encargos.
A taxa divulgada pelo Banco Central, entretanto, é uma taxa anualizada utilizada como referência estatística para acompanhar a evolução do custo do crédito. O consumidor, em geral, permanece no rotativo por períodos inferiores a um ano.
Por isso, os 436,2% ao ano não significam que uma dívida de R$ 1 mil será automaticamente acrescida de R$ 4.362 em juros. O custo efetivo dependerá do período de utilização do crédito e das condições da operação, respeitando os limites estabelecidos pela legislação.
Parcelamento da fatura também registra queda
O recuo dos juros não ficou restrito ao crédito rotativo. A taxa média cobrada no parcelamento da fatura caiu de 191,4% para 189,3% ao ano entre junho e julho.
Também houve redução na taxa média total do cartão, que considera as operações de rotativo e parcelamento. O indicador passou de 97,3% para 91,6% ao ano.
Apesar das reduções, o custo permanece elevado para quem precisa financiar uma dívida por meio do cartão. Considerando a taxa mensal média como referência, manter R$ 1 mil no rotativo por um mês ainda representa aproximadamente R$ 149 em juros.
Mais crédito no rotativo acende sinal de atenção
O aumento das concessões enquanto as taxas recuam é um dos principais pontos do cenário de julho.
Os recursos concedidos no rotativo passaram de aproximadamente R$ 38,6 bilhões para R$ 40 bilhões em um mês. O avanço indica que um volume maior de dinheiro está sendo movimentado nessa modalidade de crédito, que permanece entre as mais caras disponíveis aos consumidores.
Para as famílias, a combinação reforça a importância de acompanhar o custo efetivo das dívidas e evitar a permanência prolongada no rotativo sempre que houver alternativas de menor custo.
A redução dos juros é positiva, mas, quando traduzida para uma dívida de R$ 1 mil por apenas um mês, o efeito financeiro ainda é bastante limitado. O dado ajuda a dimensionar a diferença entre uma queda expressiva em pontos percentuais na taxa anual e o impacto efetivamente percebido no orçamento.


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