Desemprego cai a 5,3% e Brasil bate recorde de pessoas ocupadas
Dados do IBGE mostram 103,3 milhões de pessoas trabalhando e recorde de emprego com carteira assinada; renda média, porém, recuou 0,7%
Mercado de trabalho bate novo recorde- Marcelo Camargo/Agência Brasil O mercado de trabalho brasileiro voltou a surpreender e reforça um cenário de forte resiliência da economia. A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, enquanto o número de pessoas ocupadas atingiu o recorde histórico de 103,3 milhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado mostra um mercado de trabalho aquecido mesmo diante da expectativa de desaceleração da economia. O total de trabalhadores com carteira assinada no setor privado também alcançou o maior patamar da série histórica, com 39,4 milhões de pessoas.
Ao mesmo tempo, o cenário traz sinais que merecem atenção de empresários e formuladores da política econômica. Um mercado de trabalho aquecido tende a sustentar o consumo, mas também pode ampliar as preocupações com a inflação e influenciar as decisões do Banco Central sobre a trajetória dos juros.
A taxa de 5,3% representa queda em relação aos 5,8% registrados no trimestre móvel anterior, encerrado em abril. No mesmo período do ano passado, a taxa de desemprego era de 5,6%.
O número de pessoas desocupadas caiu para 5,819 milhões. A redução foi de 8% em relação aos três meses imediatamente anteriores e de 4,9% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Enquanto o número de desempregados recuou, a população ocupada avançou. O Brasil alcançou 103,335 milhões de pessoas trabalhando, o maior nível já registrado pela série histórica.
O total de ocupados cresceu 1% em relação ao trimestre anterior e 0,9% na comparação anual.
Emprego formal também atinge recorde
O crescimento da ocupação foi acompanhado por novo recorde no número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado.
O contingente chegou a 39,428 milhões de pessoas, com alta de 0,4% em relação ao trimestre encerrado em abril e de 0,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O número de trabalhadores sem carteira também cresceu. O total chegou a 13,753 milhões, com aumento de 3,6% na comparação trimestral e de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para o setor empresarial, os números reforçam a importância do mercado de trabalho como um dos principais sustentáculos da atividade econômica. Mais pessoas empregadas significam maior circulação de renda e potencial de consumo, especialmente em segmentos diretamente ligados à demanda das famílias.
Por outro lado, a manutenção do desemprego em níveis historicamente baixos amplia o desafio das empresas na atração e retenção de mão de obra.
Renda média apresenta leve recuo
Apesar dos recordes no número de pessoas ocupadas e de trabalhadores formais, a renda média mensal apresentou queda no trimestre.
O rendimento médio real habitual ficou em R$ 3.762 nos três meses até julho, contra R$ 3.786 registrados no trimestre encerrado em abril. O recuo foi de 0,7%.
A queda acontece em um momento em que o mercado de trabalho segue em nível elevado, com a combinação de maior ocupação e redução do número de desempregados.
Mercado aquecido pressiona debate sobre inflação e juros
O cenário também é acompanhado de perto pelo Banco Central. O mercado de trabalho aquecido, somado à renda em patamares elevados e aos estímulos fiscais e de crédito, pode representar um desafio adicional para o controle da inflação.
No início do mês, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, e deixou em aberto os próximos passos da política monetária.
Para analistas, a expectativa é que a taxa de desemprego permaneça em níveis historicamente baixos, mesmo diante de uma possível desaceleração da economia no segundo semestre.
Os dados do IBGE reforçam, assim, uma economia que mantém sua capacidade de gerar empregos, mas que ainda convive com desafios importantes. Para empresários e empreendedores, o cenário reúne oportunidades ligadas à renda e ao consumo, ao mesmo tempo em que exige atenção aos custos, à disponibilidade de mão de obra e aos efeitos de um mercado de trabalho ainda bastante aquecido sobre inflação e juros.


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