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João Vital

Eline e José Xavier, da Comunidade Remada I,em Ielmo Marinho, apresentam com orgulho o que colheram do projeto Quintal Produtivo

Agronegócio

17 de dezembro de 2018 às 14h30

Quintal produtivo muda paisagem em áreas rurais

É a 55 km de Natal, em Ielmo Marinho, que um grupo de moradores da zona rural tem aproveitado o solo fértil para plantar. As comunidades Ramada I e Nossa Terra, beneficiadas em edital do Governo do Estado via projeto Governo Cidadão e Banco Mundial, agora contam com quintais produtivos onde antes era apenas mato seco. Além dos quintais, as 32 famílias receberam cisternas calçadão para armazenamento de água e sistema de irrigação completo, que possibilitou a maior mudança de vida que já experimentaram: hoje podem se alimentar daquilo que plantam.

“Aqui a gente só plantava abacaxi porque não tinha água para regar. Depois que a cisterna chegou e fizemos o quintal, não compro mais nada, planto tudo e a gente come: cebola, cebolinha, berinjela, couve, abobrinha, alface, pimentão, coco, banana, laranja, graviola, coentro”, diz Eleni Souza (51), moradora de Ramada I. O que sobra da mesa, ela aproveita para vender e conseguir um trocado para terminar o mês.

O esposo José Xavier Júnior (48) diz que é uma mudança de vida grande. “Hoje a gente sabe o que está comendo, é um produto de qualidade que a gente mesmo planta e come, sem agrotóxico. O mais importante é ter saúde e comendo assim a gente sabe que é saudável”, acrescenta. A implantação dos quintais produtivos também representa a quebra de um paradigma na região, que é famosa pela plantação de abacaxi.

O agricultor Carlos José da Silva (50) também se beneficiou do quintal em sua casa. Diversificou a plantação e hoje fatura em torno de R$ 200 por mês com a venda de quiabo, coentro, tomate e algumas frutas para pequenos mercados da redondeza.

Na comunidade vizinha Nossa Terra, a agricultora Francilene da Silva (40) conta que nos últimos dois meses conseguiu vender R$ 300 em molhos de coentro. “Hoje eu tenho uma mesa farta com meu coentro, pimentão, espinafre, cebola. Ajuda na alimentação da família e o que sobra a gente vende”, diz.

Outra mudança experimentada pela comunidade foi a implantação da coleta seletiva, contrapartida ambiental da associação para receber o projeto do Governo do Estado. O agricultor Jailson Silva (39) conta que a paisagem do lugar mudou drasticamente. “As pessoas jogavam lixo na rua, queimavam muito também. Hoje todo mundo faz a coleta em sua casa e o carro da Prefeitura vem buscar”, conta.

Para o secretário e coordenador do projeto Governo Cidadão, Jader Torres, os investimentos promovem acesso à água, mas também segurança alimentar para a população da zona rural. “Uma das prioridades deste projeto é exatamente isto: levar dignidade ao campo para que as pessoas possam sobreviver da agricultura e não precisem deixar suas origens”, diz.

Os investimentos do projeto Governo Cidadão somaram R$ 228 mil em Ramada I e R$ 208 mil em Nossa Terra. Na primeira, foram construídas 18 cisternas calçadão para armazenamento de água e implantação de 18 quintais produtivos com kits de irrigação e sementes para plantar. Em Nossa Terra, foram construídas 16 cisternas e 16 quintais produtivos e como contrapartida ambiental, a comunidade implantou a coleta seletiva.
 

 

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