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Fernando Frazão | Arquivo | Agência Brasil

Paulo Guedes, futuro superministro de Economia no Governo Bolsonaro

Política

06 de novembro de 2018 às 18h15

"Continuar no sistema de repartição é um crime"

A continuidade do sistema de repartição, em que os trabalhadores da ativa financiam integralmente o pagamento das aposentadorias atuais, é um crime contra os futuros trabalhadores, disse nesta terça-feira (6) o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. “Precisamos trazer para as futuras gerações um sistema previdenciário diferente. É um crime para as futuras gerações continuar no sistema de repartição”, afirmou.

Em entrevista a jornalistas ao chegar ao Ministério da Fazenda, Guedes defendeu a aprovação do texto atual em tramitação no Congresso para viabilizar uma reforma mais profunda a partir do próximo ano, que envolva a migração para o modelo de capitalização dos jovens que entrarem no mercado de trabalho.

“Aprova-se a reforma que está aí. Aprova isso rápido. Tira essa nuvem negra no horizonte. Isso nos dá tempo para o novo regime”, afirmou o futuro ministro. Está na minha cabeça. Terminar aproveitando essa reforma e começamos o ano que vem essa transição para a força de trabalho mais jovem para o regime de capitalização”, declarou Guedes.

O futuro ministro, que está reunido com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, considerou natural a desconfiança dos políticos em relação à capitalização da Previdência (quando o trabalhador contribui para uma poupança individual que financia a própria aposentadoria). “É absolutamente natural que haja uma desconfiança, como no caso da implementação de um regime de previdência capitalizado, não só do presidente eleito, como da classe política quando não se conhece o assunto”, declarou.

Para o futuro ministro da Economia, o atraso na reforma da previdência tem travado a economia brasileira e impedido o país de crescer. “Se ela tivesse sido feita há dez anos, o Brasil estaria crescendo de 4% a 5% ao ano. Como não fizemos isso, a economia está travada e cheia de problemas fiscais até hoje. Como economista, entendo que, se tirarmos esse obstáculo da frente agora, primeiro teremos um belo encerramento do governo Temer. Terá sido um governo de transição com um bom ímpeto de reformas. Segundo, abre-se um novo governo só com notícias positivas”, destacou.

Segundo Guedes, a necessidade de aprovação do texto atual em tramitação tem sido colocada ao futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, como necessidade de dar prosseguimento a outras reformas estruturais, como a tributária, a desburocratização e a abertura da economia brasileira.

Guedes listou cinco problemas principais do sistema brasileiro de previdência: a bomba demográfica (o envelhecimento da população que aumenta o volume de aposentadorias e pensões pagas); o financiamento por repartição, que destrói empregos formais; a mistura de assistência social com previdência (com o pagamento de benefícios a quem não contribuiu); a falta de capitalização, que impede ao trabalhador carregar as contribuições para o futuro, e, por fim, as falhas de gestão.

Dívida Pública
O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, negou hoje (6) a possibilidade de renegociação da dívida pública. Em entrevista a jornalistas ao chegar ao Ministério da Fazenda, ele disse que houve um mal-entendido sobre a necessidade de conter a expansão do endividamento do governo.

“Não se pensa nisso [na renegociação ou na auditoria da dívida pública]. Isso não existe, isso não é um problema. O que existe é uma preocupação com a dívida", declarou Guedes.

Segundo o futuro ministro, que coordena a área econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro, o Brasil precisa diminuir o pagamento dos juros da dívida pública. Ele, no entanto, negou que isso signifique uma renegociação.

“Durante a campanha, falei que [o Brasil] tinha uma despesa de juros demasiada [da dívida pública], de US$ 100 bilhões por ano. Isso é reconstruir uma Europa por ano. Eu falei tantas vezes que os juros são recessivos que o presidente pode ter entendido que íamos renegociar a dívida, mas isso está fora de questão”, enfatizou Guedes.

Para o futuro ministro da Economia, o caminho para o setor público diminuir o pagamento dos juros da dívida pública interna são as privatizações. “Como é que você ataca os juros da dívida interna? Exatamente fazendo como as empresas fazem. Vendem alguns ativos e não deixa a dívida crescer. Depois que o Pedro Parente [presidente da Petrobras até junho deste ano] vendeu algumas subsidiárias e pagou os bancos, a Petrobras valeu dez vezes mais. Com o país é a mesma coisa”, declarou.

Superministérios
Em relação à fusão de ministérios, Paulo Guedes disse que os futuros ministros nascerão com superpoderes. Segundo ele, a mudança visa a aumentar a eficiência do Estado e evitar superposições.

“Todo mundo está achando que os futuros ministros têm superpoderes. É o contrário. Os ministérios estão juntos para evitar superposição. Por exemplo, de repente, a Fazenda baixa os impostos e aí o Ministério da Indústria não abriu a economia. Ou então, o Ministério [da Indústria] abre a economia e prejudica a indústria brasileira porque os impostos não foram reduzidos ainda. Não posso promover a competição estrangeira no Brasil sem antes reduzir impostos”, explicou.

Democracia
O futuro ministro da economia disse que o Brasil é um exemplo de democracia emergente bem-sucedida, que tem instituições independentes, imprensa livre e que está num momento de transição para uma aliança de centro-direita. Segundo Guedes, a alternância de poder depois de governos de esquerda é saudável.

“Você vê que nós estamos numa longa transição. Quando tivemos o impeachment de dois presidentes, um de direita e outro de esquerda, nós mostramos a independência do Legislativo. Aí quando o Executivo tentou comprar sustentação parlamentar no Legislativo, o Judiciário despertou e andou prendendo gente do Executivo e do Legislativo. O Brasil é uma democracia emergente. Começou a fazer uma transição para a centro-direita que é importante”, declarou.

Para Guedes, a alternância de poder é importante. “A história é virtuosa. O Brasil é um Estado de Direito, tem a mídia livre, os poderes independente. Estamos num momento absolutamente tranquilo”, concluiu.


Fonte: Agência Brasil
 

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