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Reprodução do Facebook de Fernando Godoy

Fernando Godoy, fundador da Gaya Hyper Group e CEO da Flex Interativa, um dos palestrantes do Fórum Negócios

Marketing

11 de outubro de 2018 às 15h30

“Precisamos entender as pessoas também”, diz Godoy

Fundador da Gaya Hyper Group e CEO da Flex Interativa, Fernando Godoy é um dos integrantes do seleto time de palestrantes do Fórum Negócios, que será realizado nos dias 9 e 10 de novembro, na Arena das Dunas. Mais do que entender as tecnologias que dominam o mundo dos negócios, Fernando alerta para o cuidado especial no trato com a pessoa para empreender com sucesso. “Precisamos entender não apenas as tecnologias, mas também às pessoas, para empreender cada vez melhor e sustentável”, diz.

Em entrevista exclusiva para a revista NEGÓCIOS.net, o empreendedor da área de tecnologia revela os três pilares que sustentam a Gaya: inspirar, causar inspiração e realizar. “Se só tiver inspiração, sem realização, as pessoas ficam apenas no campo das ideias. A Gaya tenta materializar esses sonhos, essas inovações que empresas ou empreendedores nos trazem que têm alguma melhoria para a sociedade”. 

Ele ainda fala um pouco sobre a Organização Não-Governamental Spirit of Football. Criada em 2002, a ONG roda o mundo tendo como ferramenta o fair play e futebol. Confira: 


Como sonhar grande sendo pequeno empreendedor no Brasil, um país cada vez mais desigual e que tem um ambiente jurídico inseguro, com poucos incentivos?
Existem várias possibilidades atualmente. Em qualquer acesso à internet o usuário pode aprender diversas informações em qualquer seguimento, em qualquer área. As inovações disruptivas estão no mercado e comprovam que é possível empreender de qualquer parte do planeta. Além disso, os cursos voltados para a tecnologia de ponta estão mais acessíveis. Em anos anteriores, para iniciar um empreendimento, a pessoa necessitava construir um imóvel, uma indústria. Hoje é diferente, dentro da própria residência é possível começar um negócio. A internet tem diversos recursos e ferramentas que possibilitam escalada em qualquer área. Porém, é preciso que as pessoas entendam como tirar proveito da tecnologia e aplicar ao empreendimento. É preciso ressaltar que não é fácil ser empreendedor. Principalmente por conta das questões tributárias do País. Por outro lado, não é mais desculpa a falta de capital para começar um negócio.

Pode nos contar de forma sucinta como foi a sua experiência nas empresas de tecnologia dos Estados Unidos? Como chegou até lá e quanto tempo passou? 
Minha experiência nos Estados Unidos foi muito interessante. Entrei no país em 1996 e retornei ao Brasil em 1999, ou seja, foram quatro anos trabalhando com tecnologia. De início, minha ideia era seguir carreira no futebol, que era meu sonho e o que aconteceu nos primeiros meses. Porém, após estagiar em diversas empresas que trabalhavam com tecnologia de ponta, pude acompanhar de perto a revolução que a internet estava causando em diversos segmentos do mercado. No primeiro ano eu visitei o Vale do Silício, que não tinha o porte industrial de hoje, mas já tinha empresas estabelecidas como a Apple. O primeiro impacto que tive foi com o advento do formato MP3. Foi daí que tive ideia do que viria como mudança proporcionada pela tecnologia disruptiva e aceleradora. Foi uma experiência muito rica. 

Essa experiência nos EUA foi fundamental para desenvolver a sua carreira no Brasil? 
Montei uma agência digital, software house, que depois transferi para o Brasil. Isso me permitiu trazer para o país diversas inovações que não tinham aqui, o que possibilitou ganhar mercado. Hoje a distância é menor. O tempo de um produto que é lançado lá nos EUA até chegar aqui é quase instantâneo. Na época em que eu estava nos Estados Unidos, porém, o tempo era maior e eu soube aproveitar esse delay para investir e inovar. 

Falando nisso, aprender outro idioma, principalmente o inglês, é fundamental para ter sucesso na carreira ou como empreendedor? 
O domínio da língua inglesa é fundamental. Por mais que muitas pessoas conheçam aplicativos de tradução simultânea e outras ferramentas, o inglês é essencial para quem quer empreender. A comunicação é muito importante. Em qualquer lugar do mundo o inglês é a forma mais comum em se comunicar. Os Estados Unidos ainda são o grande mercado de desenvolvimento de tecnologia e ensino. Por isso, é importante ter o inglês na ponta da língua para conhecer novos parceiros, fazer novos clientes.

Como o senhor enxerga o mercado de tecnologia da informação e internet no Brasil? Ainda temos muito o que aprender e evoluir?
O mercado de tecnologia no Brasil tem evoluído bastante. Além disso, tem surgido diversas empresas e startups com inovações e produzindo tecnologia de informação. Óbvio que, em comparação com outros países com capacidade, infraestrutura e investimento, como na Europa, ainda estamos atrás. Isso é ruim porque vemos muitas ideias que nascem aqui e não vão para frente por falta de incentivo. Por outro lado, o Brasil tem um diferencial: somos um povo muito criativo e isso, às vezes, faz total diferença na hora de resolver problemas. Por isso, acho que a tecnologia não é mais uma questão limitadora para saber se o país vai evoluir ou não. É questão de ter atitude inovadora. Nos Estados Unidos, desde cedo, as crianças têm aulas sobre empreendedorismo. Aqui, não. A gente começa a entender o que é empreender após a formação acadêmica.

O que é e qual a missão do Grupo Gaia Hyper?
A missão da Gaya Hyper é sempre estar próxima de pessoas que inspirem, que tragam inspiração e que tragam inovação dentro do seu modelo de negócios e que, principalmente, tenham capacidade de realização. Então, estamos muito focados nesses pilares: inspirar, causar inspiração e realizar. Pois se só tiver inspiração, sem realização, as pessoas ficam apenas no campo das ideias. A Gaya tenta materializar esses sonhos, essas inovações que empresas ou empreendedores nos trazem que têm alguma melhoria para a sociedade.
 
E o Spirit of Football? É uma ONG? Foi o senhor quem criou? Qual o objetivo?
A ONG surgiu em 2002 quando dois ingleses resolveram sair da Inglaterra, com uma bola de futebol, com destino ao Japão, país que sediou a Copa naquele ano. Foi uma viagem em que eles promoviam fair play, igualdade e jogavam bola todos os dias. Essa bola foi assinada por crianças e autoridades. Essa atitude foi ganhando corpo e em 2006 teve uma viagem assim para Alemanha e, depois, em 2010 para a África do Sul. Eu entrei em 2012 para estruturar a viagem da Inglaterra para o Brasil. Passamos por 25 países promovendo fair play, igualdade. Visitamos grandes clubes na Europa, promovendo palestras e workshops para o Barcelona, Liverpool, entre outros, mas também para moradores de rua, refugiados de guerra. Foi uma experiência incrível. O Spirit of Football é um projeto que acontece de quatro em quatro anos, mas ele tem suas ações educacionais e sociais, principalmente na Alemanha, onde o Andrew Aris é o responsável e aqui no Brasil eu sou o responsável. Já fizemos trabalhos dentro da Heliópolis e agora estamos focados em jovens carentes com dois times de futebol. Porém, o foco não é transformá-los em jogadores, mas, sim, em estudantes e empreendedores. Então, tentamos conseguir bolsas de estudos para os melhores alunos. 

Que tendências mais impactantes poderemos ter, na prática, na próxima década? O que nos espera? Viveremos, finalmente, a Era dos Jetsons (desenho animado futurista), com carros voadores e dependentes totalmente da internet?
Sim. Mas é importante dizer que isso não é mais tendência, mas, sim, realidade. inteligência artificial, internet das coisas, realidade aumentada, virtual, veículos autônomos, big data, que são inovações disruptivas e já aplicadas em diversos mercados. Para citar um dado, hoje 90% dos advogados recém-formados nos Estados Unidos estão sem emprego. Isso, porque, é mais rápido e prático usar o IBM Watson que contratar um advogado. Essa grande mudança causada pelas tecnologias disruptivas veio para mostrar que, de fato, tudo é possível. 

O Nordeste do Brasil, região que ainda sofre preconceitos do Centro-Sul do país, se destaca na área de tecnologia em alguns polos, como Recife e Campina Grande. Natal, inclusive, já entrou no mapa das comunidades de startups, com a Jerimum Valley, muito por força dos investimentos do Instituto Metrópole Digital, vinculado à UFRN, e do Sebrae. O senhor acha que há espaço para desenvolvimento na região?  
É muito importante que a tecnologia não esteja concentrada apenas no Sudeste. A diversificação da tecnologia é muito importante. O trabalho que Recife tem é muito importante. O Brasil tem muita criatividade e é importante que a tecnologia se espalhe por outros polos, pois o empreendedorismo e inovação é o que vai mover o país daqui para frente. São os pequenos projetos, as pequenas startups, que vão balançar a economia. Acho que há espaço em qualquer região. O conhecimento está disponível para todos. É possível acessar conteúdo gratuito em universidades dos Estados Unidos. Tem de ter movimento de startup em todas as cidades para resolver problemas locais, históricos. O que falta é o governo incentivar e criar políticas favoráveis para isso. A expansão desse movimento também depende de iniciativas como investidores anjos e universidades de desenvolver núcleos de empreendedorismo. Mas acho que em qualquer parte do País é possível desenvolver polos de empreendedorismo.

Que mensagem o senhor pretende deixar para o seleto público que comparecerá à sua palestra no Fórum NEGÓCIOS, em Natal? 
São dois pontos: as pessoas têm de estar atentas às inovações, compreender essas tecnologias. O outro ponto é entender o mercado consumidor, essa nova geração, a geração Z, identificar e compreender os seus hábitos e seus valores. Então, a mensagem é que precisamos entender não apenas as tecnologias, mas também às pessoas, para empreender cada vez melhor e sustentável.

 

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